Antigo Cepista, falecido, escreve sobre a entidade

Aviso aos navegantes

Eu, um inexperiente navegante, vagando a esmo por mares revoltos e quase desconhecidos da criação artística e literária, sem saber exatamente o que fazer, onde chegar, por onde ir e para onde ir ; só havia de concreto, a convicção inabalável do que era preciso navegar.
Por acaso ou por causalidade encontrei um farol chamado CEPA, de onde emanavam poderosas luzes culturais e solidárias. Era um místico farol Divino-humano, acolhendo, alertando, conduzindo, orientando, e o mais importante: Sem nenhuma distinção de cor, concepção, de nível social ou de religião.
Lá eu encontrei Germano transcendendo as múltiplas dimensões do tempo, David Bernardo desafiando o academicismo geométrico, a Professora Miriam doando-se em forma de cultura e de fraternidade, conheci o pensamento filosófico de Geraldo Machado e Luciano, a poesia de Beto Correia e Graciela, e tantos e tantos outros, todos parentes próximos, conseguimos ou não, porém todos coesos, amalgamados por uma afinidade maior.
No CEPA eu pude constatar na prática, a diferença aparente entre matéria e energia, e por analogia, aprendi que a realidade nada mais é que a solidificação da fantasia. Aprendi, portanto, que sempre é possível condensar o sonho, que todos nós somos capazes de transpor barreiras, de vencer obstáculos e alcançar um objetivo, se objetivo houver. E consequentemente concluí, que a vitória é o emprego da persistência na transposição integral de um caminho, e o fracasso, a antecipação do retorno; e se desejarmos aplicar a soma de todos os sonhos em função de um objetivo comum, conseguiremos construir de fato uma comunidade.
Todavia, hoje trazido pelas intemperes circunstâncias, encontro-me um pouco distante em termos físicos, mas apesar da distância geográfica, eu sempre estive e estarei presente em pensamento e sentimento, embora insatisfeito pelo pouco que pude realizar em relação ao que eu pretendia, e que tanto gostaria de ter feito. Mesmo assim, quero deixar escrito no indelével registro do papiro digital do tempo, a confirmação da construção de um vínculo tão profundo e forte, que nem mesmo a inversão da sorte, o abismo da distância geográfica, ou o poder destruidor da morte, serão capazes de nos separar.

Vitória da Conquista, espaço / tempo / 1999
Bartolomeu Santos

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2 Responses to Antigo Cepista, falecido, escreve sobre a entidade

  1. Um banho de veracidade florido e perfumado à guisa da mais refinada estética. Me toca profundamente saber que, apesar do tempo em que fora escrito, ou mesmo da mudança significativa do corpo discente e docente do CEPA, o relato se faz desmedidamente atual, portanto há uma “atmosfera cepista” que perdura e se manifesta na alma de cada novo membro, que também acaba a influenciando de certo modo. Daí, decerto, seja possível compreender melhor a forma como os princípios da instituição conseguem se manter vivos sem deixar de adaptar-se e dialogar com a contemporaneidade, incorporando de cada época somente aquilo que, de tão puro, torna-se atemporal.
    Para a frente e para o alto, eis o caminho!

    • elder says:

      Grato Yuri, suas palavras me falam dentro e espero que o verbo se encarne… Segue por e-mail convite para festividade do CEPA que lhe peço aceitar e participar, divulgando com a sua capacidade técnica, por meio dos seus contatos. Um abraço, Germano e Elder.

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