O espírito público de Neto e Rui – Osvaldo Lyra

A tragédia que se abateu sobre Salvador neste começo de semana acabou revelando um dado importante em termos de gestão pública: há muito a Prefeitura da cidade e o Governo do Estado não possuíam gestores tão ágeis e que priorizassem o coletivo em detrimento de querelas políticas. Do alto da condição de governador, Rui Costa cancelou todos os compromissos fora da capital baiana para estar perto da cidade e do seu povo. Arregaçou mangas e não hesitou em ligar para o prefeito ACM Neto, logo após a constatação dos efeitos das chuvas de segunda-feira, para colocar toda a máquina do Estado ao seu dispor.

Passo seguinte, não ficou no discurso vazio. Pegou o telefone e ligou para a presidente Dilma Rousseff lhe passando um quadro da situação na capital baiana, situação atualizada mais duas vezes durante o dia. Sensibilizada, a presidente mandou seu ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, vir a Salvador para ver de perto a extensão da tragédia e adotar as providências cabíveis.

Rui foi mantendo Neto atualizado de todas as suas ações, enquanto o prefeito fazia o que estava ao seu alcance para minorar o sofrimento das famílias atingidas. Todo o staff da prefeitura estava a postos desde as primeiras horas do dia para ajudar a população, que tanto padecia. Ontem, os dois gestores, acompanhados do ministro da Integração Nacional, sobrevoaram a cidade e na sequência anunciaram as medidas a serem tomadas a curto e médio prazo. O ministro mobilizou o Exército para ajudar as famílias em área de risco, liberou o FGTS das vítimas que perderam suas casas e disse ao prefeito que aguardaria a decretação do estado de emergência (fato feito ontem mesmo) para estender as ações de socorro aos soteropolitanos. Tudo previamente combinado e atendendo ao apelo de Rui.

O governador tratou de anunciar medidas de impacto, não apenas de socorro imediato, mas de combate às causas dessas tragédias anunciadas. O Estado vai investir mais de R$ 150 milhões em obras de contenção de encostas, focando, principalmente, nas regiões atingidas pelos deslizamentos desta semana e em outras consideradas de risco elevado pelos técnicos do Governo e da Prefeitura.

Salvador mereceu de suas principais autoridades o que haveria de esperar que fosse rotina. Ação e celeridade no atendimento às vítimas, no socorro aos desabrigados e na promessa de obras estruturantes, indispensáveis para que o drama dessas chuvas não voltem a se repetir. O governador Rui Costa soube valer seu prestígio junto ao Planalto e em nenhum momento levou em conta ser o prefeito um ferrenho adversário político. Medida essa que repercutiu, inclusive, entre aliados do DEM e do PT, que viram na ação conjunta a medida ideal para minorar a dor e o sofrimento de soteropolitanos que amargam perdas, seja através das mortes ou dos prejuízos materiais.

Rui mostrou espírito público aguçado diante do cargo que ocupa e Neto, ao aceitar a ajuda e dividir o espaço com o governador, mostrou que pratica um novo modelo de fazer política na Bahia. Que ações conjuntas como as adotadas nos últimos dias se tornem uma rotina na prática política do estado, já que quem ganha de fato com essa unidade é a população, sobretudo, a que mais precisa das ações do poder público.

 

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br/2015/04/29/espirito-publico-de-neto-rui

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