Coluna de Alex Ferraz

Redescobrindo o óbvio e ouvindo melhor

Durante esses praticamente 12 meses em que estou em São Paulo (de onde retorno para a minha bela e acolhedora Salvador, a despeito de todas as mazelas, nos próximos dias de dezembro), vi surgir uma moda (ou modismo, seja o que for) muito saudável e científica: aqueles cotonetes sonoros aos quais se chamam fones de ouvido, que penetram até quase o tímpano, têm sido substituídos em massa por grandes fones, idênticos àqueles nos quais eu escutava o bom rock da década de 1970, mas agora cheios de bossa e grifes.

Aparências à parte, a realidade é que os jovens e adolescentes que hoje adotam os fones “de antigamente”, mais do que estarem “na moda” têm percebido a enorme diferença na qualidade do som.

Já disse aqui algumas vezes, inclusive respaldado em opiniões de músicos como Neil Young e outros, que essa história de comprimir a música eletronicamente para que caibam milhares de canções em um só disco ou, pior ainda, naquelas coisas chamadas MP3, simplesmente destroi o som original. Perdem-se nuances fundamentais e o impacto dos graves, que acabam se transformando em pancadas de bate estaca.

Gente, o som, a acústica, tem tudo a ver com o tamanho. É impossível reproduzir um contrabaixo num minúsculo cotonete eletrônico, como é impraticável gravar o som verdadeiro, analógico, em trambolhos digitais.

Quem acha que estou sendo “retrógado” ou “nostálgico”, que experimente os dois modelos e depois me diga o que achou.

 

Ainda sobre

headphones

Além do mais, os cotonetes eletrônicos provocam seriíssimos males ao ouvido, e podem levar à surdez.

Os fones maiores, mais acústicos, também podem prejudicar, se usados em volume muito alto, mas este volume alto é dispensável quando a acústica é perfeita. E ponto final.

Sobre a selvageria

Falei aqui, ontem, sobre a maldade terrível que grassa neste país, e citei o caso do motorista de ônibus, em São Paulo, assassinado a socos, pontapés e pauladas por frequentadores de um (argh!) baile funk, depois de sofrer um mal súbito e bater em algumas motos e carros.

Mas gente é gente. Anteontem, foi a vez de um motorista assassinar a facadas um trabalhador, em pleno centro de Sampa, porque ele não tinha R$ 3 para pagar a passagem. Tem jeito não.

E por falar em violência…

Na TV, o cidadão comum, entrevistado sobre um assassinato ocorrido em frente à sua casa, foi frio e sincero:

- Moça, antigamente, quando ocorria um crime de morte, ficava todo mundo chocado. Agora virou rotina, ninguém liga.

Preconceito nas novelas (I)

Talvez por ter sido repreendida pela Tradição, Família e Propriedade (TFP, lembram?), pois parece que esta joça ainda existe, a Rede Globo, depois de mostrar casais homossexuais dignos e, no caso dos homens, másculos, e das mulheres, bastante femininas, resolveu, agora, nas suas novelas, esculachar de vez e só mostra bichinhas patéticas, submissas e que pagam “bofes” para fazer sexo, como se esta fosse a realidade exclusiva do mundo homossexual.

Preconceito nas novelas (II)

Tanto em “Aquele Beijo” (de Miguel Falabella, o que triplica minha surpresa!) como em “Fina Estampa”, os ditos gays são personagens caricatos, o que, certamente, agrada em cheio às famílias retrógadas, que devem dizer a seus filhos: “Olha, gay é isso aí, viu!” Entendo por que não querem que a verdade sobre a maioria dos homossexuais e suas relações não venha à tona. Ia virar epidemia. Hehehe…

Momento de humor

Revi o impagável “A Última Noite de Bóris Grushenko”, do genial Woody Allen, que faz o papel principal.

A certa altura, Bóris, convidado por Napoleão para jantar, alfineta a culinária francesa e pergunta:

- Posso comer antes?

 

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